Um projeto da Universidade Estadual de Campinas chamou a atenção de uma das 10 maiores petroquímicas do mundo e já está pronto para entrar em produção em escala industrial. A fibra extraída do curauá, uma planta originária da região amazônica, será utilizada para substituir a fibra de vidro no reforço de termoplásticos.
O curauá é cultivado especialmente no Pará, onde é usado por índios na produção de cordas e redes. Como é vegetal, o produto apresenta as vantagens de ser biodegradável, renovável e reciclável.
As propriedades mecânicas da fibra de curauá são muito semelhantes às propriedades mecânicas da fibra de vidro, que já é usada como agente de reforço para termoplásticos em geral. A segunda propriedade importante é que ela é uma fibra vegetal obtida de uma planta que só cresce no Brasil. E sua utilização para chegar à peça final traz tanto benefícios ambientais, como benefícios relacionados à redução do peso da peça final. Do ponto de vista econômico a produção final da peça é mais barata que a produção com a fibra de vidro – destaca o pesquisador Marco Aurélio de Paoli.
A mistura do plástico com a fibra vegetal que dá origem ao composto é feita em um equipamento avaliado em US$ 300 mil (cerca de R$ 520 mil).
- A extrusora dupla rosca é usada para preparar os compósitos. Nós alimentamos uma parte com plásticos e outra com a fibra na forma moída. Dentro do equipamento os materiais são aquecidos, misturados e transportados ao longo da extrusora para serem transformados na forma de espaguete, onde obtemos o compósito pronto para a injeção – explica De Paoli.
Depois de oito anos de pesquisa os resultados agradaram ao doutor. A fibra vegetal que reforça a matéria-prima se tornou um composto ainda mais resiste quando comparado à mistura feita com fibra de vidro convencional.
- A principal vantagem econômica é produzir uma autopeça com menor custo. A principal vantagem ambiental é que você vai produzir um material que vai proporcionar créditos de carbono, ou seja, durante toda a vida deste material, ele vai produzir menos CO2 do que o que foi retirado da atmosfera durante o crescimento da planta – informa o pesquisador.
Interesse industrial
A pesquisa desenvolvida pelo professor Marco Aurélio já saiu do laboratório e vai virar produção em escala industrial. Uma das 10 maiores petroquímicas do mundo se interessou pelo projeto e vai começar a produzir o novo material para colocá-lo no mercado.
Nós nos interessamos muito por esse projeto por nós sermos líder mundial na fabricação dos chamados plásticos de engenharia. Um dos principais segmentos da indústria que é importante para o nosso negócio é a indústria automobilística – confirma Edson Roberto Simielli, gerente de marketing da petroquímica.
Algumas autopeças de plástico já estão sendo avaliadas pela indústria de automóveis, e em breve deve ser lançado um produto feito a partir do composto com fibra vegetal.
– Nós acreditamos que com isso nós vamos atingir algumas propriedades exigidas pela indústria automobilística no quesito de resistência térmica para a substituição do mesmo material reforçado atualmente com fibra sintética, como é o caso da fibra de vidro – informa Simielli.
Além de garantir a confeção de um produto ecologicamente correto, o uso da fibra do curauá em escala industrial pode garantir uma nova alternativa de renda para agricultores do Pará.
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